Salário mínimo necessário chega a R$ 7.750 em setembro, 4,78 vezes o piso; as vagas do Rio pagam 1,12 vez

Moedas de R$ 1 em close, frente e verso
Foto: Scan: User:Avelludo. Design: Central Bank of Brazil. / Wikimedia Commons / Public domain

O DIEESE calcula quanto o salário mínimo deveria valer para sustentar uma família de quatro pessoas. Comparamos o número de setembro com o que 45 anúncios de vaga do Rio de Janeiro informam pagar.

O salário mínimo necessário para manter uma família de quatro pessoas era de R$ 7.750,01 em setembro de 2026, ou 4,78 vezes o mínimo vigente, de R$ 1.621, segundo o levantamento do DIEESE divulgado em 9 de outubro. Nos anúncios publicados no TrampoRJ entre 15 e 20 de outubro, o salário mediano informado foi de R$ 1.813,45, ou 1,12 vez o piso. Dos 45 anúncios com salário informado, nenhum chega ao valor calculado pelo DIEESE: o maior é de R$ 6.000, para representante comercial, função em que a remuneração costuma incluir comissão.

O que o DIEESE mede

O indicador parte de um princípio da Constituição: o salário mínimo deve cobrir as despesas do trabalhador e da família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência. Para calcular o valor, o DIEESE usa a cesta básica mais cara entre as capitais, que em setembro foi a de São Paulo, a R$ 922,51, e estima o mínimo necessário para uma família de quatro pessoas. O documento não detalha a composição dessa família nos trechos que lemos, e por isso descrevemos o indicador apenas como de quatro pessoas.

A série mais recente mostra um valor volátil, porque acompanha o preço da cesta:

MêsMínimo necessárioVezes o piso
Setembro de 2025R$ 7.075,834,66 (piso de R$ 1.518)
Janeiro de 2026R$ 7.177,57—
Junho de 2026 (maior valor do ano)R$ 8.110,92—
Agosto de 2026R$ 7.565,864,67
Setembro de 2026R$ 7.750,014,78 (piso de R$ 1.621)

Em relação a setembro de 2025, o mínimo necessário subiu cerca de 9,5% (cálculo do TrampoRJ), mais do que o piso nacional, que passou de R$ 1.518 para R$ 1.621, uma alta de 6,8%. Por isso a distância entre os dois aumentou: de 4,66 para 4,78 vezes.

A cesta do Rio em setembro

A cesta básica do Rio de Janeiro custou R$ 913,46 em setembro, a terceira mais cara do país, atrás de São Paulo (R$ 922,51) e Florianópolis (R$ 915,62). Em 2026, até setembro, o aumento acumulado no Rio foi de 15,33%, e em 12 meses, de 14,29%, segundo o DIEESE. Em São Paulo, a cesta consumiu 61,52% do salário mínimo líquido, e a compra exigiu 125 horas e 12 minutos de trabalho. Para o Rio, o Diário de Petrópolis informa 60,92%, contra 56,77% em agosto.

Onde as vagas do Rio se encaixam

O salário mediano anunciado, de R$ 1.813,45, equivale a 23% do mínimo necessário calculado pelo DIEESE. Entre os 35 anúncios CLT que informam salário, a mediana é de R$ 1.750. Só um anúncio, o de representante comercial, passa de R$ 5.000, e o segundo maior valor é de R$ 4.109,77. O maior salário informado, R$ 6.000, corresponde a 77% do valor do DIEESE.

Gráfico de barras horizontais: salário mínimo nacional R$ 1.621,00; mediana das vagas do TrampoRJ R$ 1.813,45; mínimo necessário do DIEESE R$ 7.750,01
Fontes: DIEESE (setembro/2026); anúncios do TrampoRJ, 15 a 20/10/2026, 45 salários informados; cálculo do TrampoRJ.

O que o número significa, e o que não significa

O mínimo necessário é uma referência do que a Constituição prevê para o salário mínimo, e não uma previsão do que cada vaga deveria pagar. Muitas famílias têm mais de uma pessoa trabalhando, e os trabalhadores formais podem receber benefícios que não entram no salário. Nas vagas que analisamos, 38 de 63 citam vale-transporte e 28 citam vale-refeição ou alimentação, como mostramos na radiografia dessas vagas. A comparação serve para dimensionar a distância entre o que as vagas pagam e o que o DIEESE considera necessário, não para medir a renda das famílias.

Para quem procura emprego, o dado também ajuda a avaliar propostas: uma vaga que paga perto do piso deixa pouca margem diante de uma cesta básica que, no Rio, consome mais da metade do salário mínimo líquido. Mostramos a conta completa para o salário mediano em outra reportagem.

Como apuramos

Os valores do mínimo necessário, da cesta básica e do piso vêm do relatório do DIEESE sobre os resultados de setembro de 2026, de 9 de outubro, e da tabela do mínimo necessário publicada no site do instituto. Parte do relatório foi lida integralmente, e o restante, por resumo automático, e por isso usamos apenas os números que constam de trechos lidos na íntegra. Os números do Rio para o percentual do salário mínimo líquido vêm de reportagem do Diário de Petrópolis, que não traz data de publicação. Os dados de vagas são os 63 anúncios publicados no TrampoRJ entre 15 e 20 de outubro de 2026, com 45 salários informados após a exclusão de quatro valores abaixo de R$ 1.000. As variações de 9,5% e 6,8% e as proporções do salário mediano são cálculos do TrampoRJ.

Fontes

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