Fora da capital, Itaboraí e Niterói lideram o emprego formal de 2026, e o saldo de um mês engana

Museu de Arte Contemporânea de Niterói e a Baía de Guanabara
Foto: Marcusrg from Nova Friburgo, Rio de Janeiro, Brasil / Wikimedia Commons / CC BY 2.0

Dados do Novo Caged mostram Itaboraí e Niterói na frente no primeiro semestre, enquanto São Gonçalo e os municípios da Baixada Fluminense alternam meses de alta e de queda. Reunimos números de 2026 de várias fontes para mostrar o que muda de um mês para o outro.

Itaboraí criou 4.547 empregos formais no primeiro semestre de 2026 e Niterói, 4.227, segundo reportagem de A Tribuna RJ com base no Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego. São os dois maiores saldos entre os municípios fora da capital citados no levantamento. Já em São Gonçalo e na Baixada Fluminense, os números mensais mudam de sinal: o que parece um bom mês pode esconder um trimestre fraco. O saldo é a diferença entre admissões e demissões com carteira assinada e não equivale ao número de vagas abertas.

Itaboraí e Niterói à frente no semestre

Itaboraí foi a segunda cidade do estado que mais gerou empregos no semestre, com 4.547 postos de saldo positivo, segundo a reportagem de 30 de julho. Niterói somou 4.227, resultado que a matéria descreve como mais que o dobro do saldo de todo o ano de 2025, de pouco mais de 1,8 mil. Em junho, Niterói teve saldo de 448 (6.432 admissões e 5.984 demissões), puxado por serviços (+417), enquanto a construção perdeu 135 postos. Em Itaboraí, o saldo de junho foi de 446, com a construção respondendo por 202 deles.

Gráfico de barras horizontais do saldo de empregos formais no primeiro semestre de 2026: Itaboraí +4.547, Niterói +4.227, São Gonçalo +1.299, Maricá +305, Rio Bonito +45
Fonte: Novo Caged/MTE, conforme A Tribuna RJ (30/07/2026). Apenas os municípios citados na reportagem.

Em janeiro, o quadro era diferente para Niterói. A cidade ficou em quinto lugar no estado, com saldo de apenas 124: a construção e a indústria somaram 277 postos cada, mas o comércio perdeu 523, segundo outra reportagem de A Tribuna RJ, publicada em 3 de março. Naquele mês, Itaboraí liderou o estado com 747 postos, 436 deles na construção.

São Gonçalo: o comércio puxa o saldo para os dois lados

São Gonçalo fechou janeiro com saldo negativo de 589 postos, dos quais 374 no comércio. Em junho, o saldo foi positivo em 537, com o comércio respondendo por 354. No semestre, a cidade acumulou 1.299. Em Maricá o saldo foi de −60 em janeiro e −59 em junho, com acumulado de 305 no semestre. Rio Bonito perdeu 43 postos em janeiro, ganhou 205 em junho (141 em serviços) e fechou o semestre com 45. As reportagens não analisam a causa da oscilação do comércio, que é compatível com a sazonalidade do varejo, mas isso é uma hipótese nossa, e não uma conclusão dos dados.

Baixada: Caxias lidera março, mas o trimestre conta outra história

A Baixada Fluminense teve saldo de 4.099 empregos formais em março, segundo análise da Firjan sobre o Novo Caged, divulgada pelo Diário do Rio e pelo Site da Baixada. Duque de Caxias respondeu por 1.579, o segundo maior saldo municipal do estado, atrás da capital. Serviços somaram 967, comércio 326, indústria 158 e construção 129. Entre as atividades que mais cresceram, estão o transporte terrestre (+324), o comércio atacadista (+183), a educação (+176) e a alimentação (+163).

Nova Iguaçu registrou 963 postos, com serviços (+530) e construção (+213) na frente. Obras de infraestrutura (+217) e atividades de atenção à saúde (+172) foram os destaques por atividade. Itaguaí (+377), Guapimirim (+328) e Belford Roxo (+275) também fecharam março no positivo.

O acumulado do primeiro trimestre, porém, foi muito menor. A região somou 507 postos no trimestre, Duque de Caxias 397 e São João de Meriti ficou em −904, mesmo com saldo positivo de 142 em março. Subtraindo o saldo de março do acumulado, obtemos o resultado de janeiro e fevereiro somados: −1.182 em Duque de Caxias, −1.046 em São João de Meriti e −3.592 na região inteira (cálculo do TrampoRJ, que assume que o acumulado se refere a janeiro-março).

Gráfico de barras: em Duque de Caxias, saldo de +1.579 em março e +397 no trimestre; em São João de Meriti, +142 em março e −904 no trimestre
Fonte: análise da Firjan sobre o Novo Caged, conforme Diário do Rio (06/05/2026) e Site da Baixada (07/05/2026); cálculo do TrampoRJ.

O estado inteiro mostra o mesmo vaivém. O saldo do Rio de Janeiro foi de −13.009 em janeiro, +23.914 em março, +9.195 em maio (Ministério do Trabalho), +16.856 em junho e +20.886 em agosto, segundo a Agência Gov.

Quem aparece no topo em agosto

Em agosto, a capital teve saldo de 13.070, mais de 60% do total estadual. Depois dela, a reportagem do Brasil em Folhas, que cita o Observatório do Trabalho do estado, destaca Duque de Caxias (+836), Nova Iguaçu (+800), Macaé (+690) e Itaboraí (+587). A matéria cita apenas esses municípios, e por isso não é possível concluir nada sobre Niterói ou São Gonçalo no mês.

O que isso muda para quem procura vaga

Os dados apontam atividades diferentes em cada lugar. Em Itaboraí, a construção foi o principal motor em janeiro e em junho. Em Niterói, serviços lideraram em junho. Em São Gonçalo, o comércio explica a maior parte da variação nos dois meses analisados. Em Duque de Caxias, o saldo de março veio de serviços, comércio, indústria e construção, com destaque para transporte terrestre e comércio atacadista. Em Nova Iguaçu, vieram obras de infraestrutura, saúde e educação.

Duas leituras práticas valem para qualquer candidato: ver a tendência de vários meses, e não só o último, e conferir se a atividade da sua área aparece entre as que crescem no município onde você procura emprego.

O que o portal mostra

Dos 63 anúncios publicados no TrampoRJ entre 15 e 20 de outubro, 3 citam Niterói no título, 2 citam Duque de Caxias e 2 citam Nova Iguaçu. Nenhum cita São Gonçalo, Itaboraí ou Maricá. A maior parte dos anúncios se refere à capital. Isso reflete o que as empresas enviam ao portal, e não o mercado de trabalho, mas indica que a oferta anunciada aqui ainda é mais concentrada que o crescimento do emprego formal medido pelo Caged.

Como apuramos

Reunimos dados de 2026 publicados por A Tribuna RJ (Caged/MTE, janeiro e junho), Diário do Rio e Site da Baixada (análise da Firjan sobre o Novo Caged, março), Ministério do Trabalho (maio), Agência Gov e Brasil em Folhas (agosto). Não consultamos as tabelas originais do Caged, e sim as reportagens que as citam. Os meses diferem entre os municípios porque só encontramos os dados nesses recortes, e cada reportagem cita apenas alguns municípios. As duas reportagens sobre a Baixada reproduzem a mesma análise da Firjan e não são fontes independentes. O Caged mede só o emprego com carteira assinada e não traz salário por município nas fontes consultadas. O ranking de Niterói no semestre não consta da reportagem. Os cálculos de janeiro e fevereiro são do TrampoRJ. A contagem de anúncios considera apenas o nome do município no título.

Fontes

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